
Relatório da Portas Abertas mostra alta da violência contra cristãos em 2026
22/01/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

COMPARTILHE
A crise convulsiva sofrida por um ator durante um programa de TV, em rede nacional, na última semana, reacendeu o alerta para uma condição neurológica que atinge em torno de 3 milhões de brasileiros. Apesar de ser uma das manifestações mais conhecidas da epilepsia, muitas pessoas ainda não sabem como agir diante de uma convulsão, o que pode resultar em ferimentos, acidentes e, em casos mais graves, na progressão do quadro, com risco de danos cerebrais irreversíveis e até de morte.
De maneira simplificada, essa condição neurológica é frequentemente comparada a um “curto-circuito no cérebro”. Ela pode se manifestar de diferentes maneiras, mas, em geral, envolve contrações musculares involuntárias, tremores rítmicos, movimentos bruscos dos membros, liberação de esfíncteres, perda de consciência e, após a crise, episódios de sonolência e confusão mental.
Tudo ocorre por causa de desajustes na atividade cerebral, e as crises convulsivas, muitas vezes, são confundidas com a epilepsia — quadro em que os episódios são recorrentes e tendem a persistir ao longo da vida. Contudo, são condições distintas. “A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro, que são recorrentes e desencadeiam crises epilépticas. Para considerar que uma pessoa tem epilepsia, é necessário a repetição dessas crises”, explica o neurocirurgião pediátrico Ricardo Santos de Oliveira, médico assistente da Divisão de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP). Desse modo, o paciente poderá ter uma crise epilética (convulsiva ou não) sem apresentar o diagnóstico de epilepsia, prossegue o especialista.
De acordo com o Manual MSD — publicação internacional que reúne conteúdos e recursos sobre doenças, sintomas, diagnósticos e tratamentos de variadas enfermidades —, crises convulsivas afetam aproximadamente 2% da população mundial, seja de maneira esporádica, seja crônica. Entre as possíveis causas do problema, estão fatores genéticos, lesões e tumores, falta de oxigenação e traumas na região encefálica. Quadros extremos de exaustão, exposição ao calor ou interações medicamentosas também podem provocar crises convulsivas.
“Em crises como essas, ocorre uma descarga elétrica excessiva e desorganizada dos neurônios, que são as células presentes no cérebro”, destaca o neurologista Raff Martins de Oliveira Jr, de Ceres (GO). No caso do ator, o médico esclarece que ele apresentou uma crise convulsiva generalizada, com perda súbita da consciência, queda, rigidez muscular e movimentos involuntários. Embora não haja cura conhecida, o quadro pode ser controlado com medicamentos — como drogas antiepiléticas —, mudanças no estilo de vida, com alimentação saudável, sono adequado e prática regular de atividade física, além da eliminação dos chamados “gatilhos”. Em alguns casos específicos, pode haver indicação cirúrgica.

Segundo Raff, o fundamental no atendimento imediato é proteger a vida do paciente e evitar possíveis complicações. Em entrevista ao Ongrace, o neurologista enumera algumas providências que o leigo deve tomar enquanto aguarda o socorro especializado: afastar objetos que possam causar ferimentos, colocar a pessoa deitada de lado e firmar sua cabeça. “Nunca se deve colocar a mão ou dedo dentro da boca da pessoa”, ensina.




