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10/02/2026
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Dignidade dos animais: um debate sobre cuidado e responsabilidade com a criação de Deus

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Pets já são mais de 160 milhões no Brasil: sociedade avança na conscientização acerca da dignidade dos animais – Imagem: Alexei_tm by Stock Adobe

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A morte violenta do cachorro comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), noticiada nos últimos dias, provocou comoção nacional e reacendeu um debate que também interpela a fé cristã: o cuidado com a criação divina e a responsabilidade humana diante da vida animal. O episódio expõe não apenas falhas na proteção legal, mas também a necessidade de uma consciência ética alinhada aos princípios bíblicos do amor, da justiça e do cuidado responsável.

O Brasil possui a terceira maior população pet do mundo, com mais de 160 milhões de animais, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Em 2024, o setor movimentou R$ 76,3 bilhões, reflexo da presença crescente de cães e gatos nos lares brasileiros. Ainda assim, casos de maus-tratos e abandono seguem recorrentes, em contraste com o ensino bíblico de que a criação deve ser cuidada com zelo e respeito (Pv 12.10).

Situações como a morte de Orelha e, anteriormente, do golden retriever Joca – que faleceu em abril de 2024 durante um transporte aéreo – evidenciam lacunas legais e culturais. No Congresso Nacional, avança a proposta do Estatuto dos Cães e Gatos, que busca fortalecer a proteção animal. “Ainda prevalece uma visão anacrônica que os trata como meros objetos, destituídos de direitos e dignidade própria. Essa lacuna legal contribui para a persistência de cenários de maus-tratos, abandono, exploração e sofrimento, em detrimento da ética e do respeito à vida”, defende o senador Paulo Paim (PT-RS), relator da proposta.

Já está em vigor o Cadastro Nacional de Animais Domésticos, que permite o registro e a identificação dos pets, auxiliando na localização de animais perdidos, no controle de zoonoses e no combate ao abandono. A iniciativa reforça o papel do tutor como guardião responsável, princípio que dialoga com a visão cristã de cuidado e compromisso.

Para o médico-veterinário Damião Gelard Reis, a prevenção começa com atitudes conscientes. “Sempre estimulo a doação quando não há mais possibilidade ou interesse de conviver com o pet, nunca o abandono”, afirma. Ele destaca ainda a importância da castração, da alimentação adequada, do abrigo e da atenção diária às necessidades dos bichinhos. “Tentamos conscientizar os tutores para a castração, a fim de que não haja tantos animais abandonados.”

O especialista em Clínica de Pequenos Animais orienta sobre os cuidados básicos, principalmente em períodos de calor. “É adequado sair para passear bem cedo ou no final da tarde, oferecer sempre água fresca e garantir ventilação nos ambientes frequentados pelos pets”, explica. Com o aumento da longevidade dos amigos de quatro patas, crescem também os casos de doenças degenerativas, além das enfermidades que, em alguns casos, podem ser evitadas por meio da vacinação. “Já trabalhei em regiões onde os animais não eram vacinados com a frequência devida e via muitos casos de doenças infecciosas, como cinomose, parvovirose ou leptospirose.” Por isso, Reis pontua que eles devem ser levados com frequência para realizar exames físicos e laboratoriais. “Nessas ocasiões, instruímos os devidos cuidados, como escovação dentária, a fim de evitar tártaros e suas consequências sistêmicas.”

Quando a família precisa se ausentar, deixar o animal em hotéis ou creches é uma alternativa. Porém, a alta oferta desses serviços exige discernimento por parte do tutor. “O recurso a esse serviço é cada vez mais comum. Contudo, deve ser feito com calma, visitando-se previamente o local da hospedagem, conversando com os cuidadores e consultando comentários acerca do estabelecimento na internet”, observa o veterinário.

A tragédia envolvendo o cachorro Orelha serve como um alerta. Cuidar dos animais é parte do processo de responsabilidade, amor e respeito pela vida criada por Deus. Fortalecer leis, educar famílias e promover uma cultura de compaixão são passos essenciais para que episódios como esse não se repitam.

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