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30/07/2026

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30/07/2026

Novo tarifaço atinge economia brasileira

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Agronegócio brasileiro é um dos setores mais afetados pelas novas tarifas de importação impostas pelos EUA – Imagem: davide bonaldo / Adobe stock

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Entraram em vigor, na segunda quinzena de julho, as novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) a uma série de produtos exportados pelo Brasil. As novas taxas de importação, apelidadas de tarifaço, foram de 25% em um primeiro momento e um adicional de 12,5% posteriormente, atingindo itens importantes das exportações nacionais para o mercado norte-americano, como papel e celulose, madeira, etanol, açúcar, aço e alumínio, calçados, vestuário e outros – todos fundamentais para o faturamento da indústria local. Ao todo, a taxação atingirá cerca de 18% das exportações para os EUA. O prejuízo é estimado entre 7,5 bilhões e 11 bilhões de dólares (em torno de 38 a 55 bilhões de reais) em perdas comerciais, com reflexos na produção e no emprego nacionais.

Só no agronegócio, considerado uma das locomotivas da economia brasileira, as perdas anuais com as barreiras alfandegárias devem ser de 4,6 bilhões de reais por ano, conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – aproximadamente 36% do volume hoje exportado para os EUA. O governo do presidente Donald Trump justifica as medidas como resultado de uma investigação do Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR, a sigla em inglês), órgão que investiga práticas internacionais consideradas lesivas à economia americana.

Embora a balança comercial entre os dois países seja amplamente vantajosa para os EUA – nos últimos 15 anos, o superávit a favor da nação norte-americana foi de aproximadamente 450 bilhões de dólares, ou 2,3 trilhões de reais –, o USTR alega que o Brasil tem oferecido a outros países, como México e Índia, acordos de exportação mais proveitosos. Além disso, a investigação apontou o sistema de pagamentos brasileiro Pix como prejudicial a empresas americanas, supostas falhas na fiscalização ambiental e exploração de trabalho forçado (acusações ainda não provadas), bem como a regulação de plataformas digitais com matriz nos Estados Unidos.

Apesar do impacto inicial dessa nova onda de protecionismo americano, que será mais sentido nas próximas semanas, com a efetiva distribuição dos produtos sobretaxados, especialistas avaliam que o abalo na economia nacional não será tão grande. As exportações brasileiras hoje destinadas aos EUA representam em torno de 2% do PIB brasileiro; assim, a perda potencial com o tarifaço deve variar entre 0,5% e 0,8% do total das riquezas produzidas pelo país. Além disso, grande parte dos produtos comercializados com os EUA permanece fora da nova taxação, como carne bovina, pescados, café, suco de laranja, minério de ferro, vacinas humanas e veterinárias, aviões e metais em geral. Por outro lado, parte dessas perdas pode ser compensada pela diversificação para outros mercados, como já ocorreu em episódios anteriores.

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