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15/09/2026

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Correios: novo empréstimo é negociado pela instituição em meio a greve

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Amargando prejuízos bilionários, Correios negociam novo empréstimo para tentar sair da crise– imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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Dando seguimento às ações para sua recuperação financeira, os Correios negociam um novo empréstimo. A estatal enviou uma proposta ao Ministério da Fazenda para análise de um crédito de 7 bilhões de reais, a ser contraído com um grupo de instituições financeiras que inclui Citibank, JP Morgan, Deutsche Bank e Banco ABC Brasil. Como a União é avalista da transação, essa autorização é necessária para a concretização do negócio.

Uma das cláusulas do contrato é o pagamento antecipado da dívida, caso a empresa seja privatizada ou o governo não cumpra o compromisso de aportar 6 bilhões de reais até o fim do ano que vem. A regra tem por objetivo garantir que o déficit seja quitado, independentemente de quem esteja no comando do governo federal em 2027. A expectativa é de que o acerto ocorra até o fim do ano fiscal de 2026.

Em paralelo à crise, na última sexta-feira (11), os trabalhadores dos Correios entraram em greve. Segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), o motivo da paralisação foi a rejeição, em assembleia, de uma proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Entre as reivindicações da categoria estão avanços nas negociações, a preservação de direitos e garantias relacionadas ao plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes. Um dos principais impasses nas negociações é justamente o plano de saúde dos funcionários.

Os Correios têm atravessado a pior crise de sua história, com prejuízos que se acumulam desde 2022. No primeiro semestre deste ano, as contas ficaram no vermelho em, aproximadamente, 5,6 bilhões de reais. Por isso, foi montado um amplo plano de reestruturação, que captou no mercado dois aportes que juntos totalizam 20 bilhões de reais. O empréstimo ora em negociação está previsto no Orçamento da União do ano que vem, aguardando ainda a aprovação do Congresso Nacional.

Detentores de monopólio no setor postal brasileiro, os Correios perderam competitividade e relevância na sociedade. Além do aporte de recursos, outras medidas vêm sendo implementadas, como o corte de 2 bilhões de reais em gastos com pessoal e o saneamento do Postalis (o fundo de pensão da categoria). Programas de incentivo à aposentadoria têm sido oferecidos aos cerca de 80 mil funcionários da companhia, além da venda de ativos imobiliários e do fechamento de agências e unidades de atendimento em todo o país.

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