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14/01/2026
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Cristãos enfrentam ciclo de perseguição no norte da Nigéria

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

O país ocupa a sétima posição entre os que mais perseguem adeptos do cristianismo – Imagem: Missão Portas Abertas

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A Nigéria registrou, no dia 3 de janeiro, novos episódios de violência que atingiram comunidades cristãs, especialmente no norte do país. Nas últimas semanas, vilarejos do estado de Adamawa foram alvo de ataques que resultaram em destruição, invasão de propriedades e deslocamento de famílias. Segundo dados da Missão Portas Abertas, localidades como Zah, Mubang Yadu e Kikind foram afetadas, e houve vítimas de diferentes faixas etárias.

O país, o mais populoso da África, tem enfrentado períodos recentes marcados por tensões recorrentes envolvendo minorias religiosas e étnicas. Em junho de 2025, por exemplo, outro episódio de grande impacto ocorreu no estado de Benue, no Sudoeste nigeriano, onde centenas de cristãos foram atacados durante uma ofensiva atribuída a grupos da etnia fulani, frequentemente associados a movimentos extremistas na região.

Dados divulgados por entidades internacionais que monitoram a liberdade religiosa indicam que a Nigéria figura entre os países com maior número de mortes relacionadas à perseguição religiosa. Relatórios recentes apontam que milhares de cristãos perderam a vida nos últimos anos em ataques motivados por disputas territoriais, tensões religiosas e instabilidade política. Apesar disso, muitas ocorrências ainda não resultam em investigações conclusivas nem na responsabilização dos envolvidos.

Especialistas destacam que os conflitos no norte do país vão além da dimensão religiosa, envolvendo também o controle de territórios estratégicos e o avanço de grupos armados. Ainda assim, levantamentos mostram que cristãos têm sido desproporcionalmente afetados, tanto por ataques diretos quanto por sequestros, prática que se tornou frequente em áreas rurais e em pequenas cidades.

Diante desse cenário, líderes da igreja protestante na Nigéria têm adotado uma postura pública de apelo à paz, ao diálogo inter-religioso e ao fortalecimento do Estado de Direito. Em pronunciamentos recentes, repercutidos pela imprensa local e internacional, representantes de denominações protestantes têm pedido às autoridades maior proteção às comunidades vulneráveis e investigações rigorosas dos crimes. Ao mesmo tempo, a liderança cristã tem evitado discursos de confronto, reforçando mensagens de reconciliação, oração e convivência pacífica entre diferentes grupos religiosos.

No campo político, autoridades estaduais, como no caso de Adamawa, solicitaram apoio federal para reforçar a segurança em áreas mais isoladas. O governo central, sob a presidência de Bola Tinubu, tem reiterado o compromisso com a pacificação do país, embora organizações de direitos humanos apontem desafios persistentes na contenção da violência e na garantia de justiça às vítimas.

Em resposta à escalada dos ataques, organizações cristãs internacionais lançaram campanhas e petições com o intuito de chamar a atenção da comunidade internacional para a situação da Nigéria e cobrar medidas concretas em defesa da liberdade religiosa no país. A missão Portas Abertas criou um abaixo-assinado virtual em apoio à Nigéria e a outros países africanos no enfrentamento da violência contra comunidades cristãs na região Subsaariana. Para participar, bata acessar o site https://portasabertas.org.br/desperta-africa/ e assinar o documento.

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