
Obesidade infantojuvenil preocupa o Brasil e o mundo
09/07/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Embora a ciência já tenha identificado milhões de animais, a enorme diversidade de formas, tipos e tamanhos de criaturas segue surpreendendo a humanidade. Prova disso foi a descoberta recente de novas espécies marinhas na costa brasileira. São celenterados (águas-vivas), moluscos, larváceos (criaturas que se parecem com girinos) e organismos unicelulares, que compõem uma fauna diversificada e que, até agora, não havia sido vista por nenhum ser humano.
As descobertas foram feitas por uma expedição do Schmidt Ocean Institute, fundação privada sem fins lucrativos dos Estados Unidos. O navio de pesquisa Falkoor percorreu trechos das águas internacionais nos limites do mar territorial brasileiro, e os resultados surpreenderam os estudiosos, que vieram de vários países, inclusive uma equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em apenas duas semanas, foram catalogadas 31 novas espécies, muito mais do que o esperado. Um dos achados mais impressionantes foi o de uma forma ainda desconhecida de lula-de-vidro, cefalópode, cujo corpo, de cerca de 10 cm no espécime adulto, é praticamente transparente.

Todos os achados envolveram tecnologias modernas de rastreamento, geração de imagens em altíssima resolução, sensores e lasers de precisão para provocar o menor impacto ambiental possível e preservar vivos os espécimes observados, já que a maioria tem estrutura gelatinosa que os torna extremamente frágeis. Além disso, as criaturas habitam a zona mesopelágica, situada entre a incidência da luz solar e as profundezas abissais, de 200 m a 1.000 m abaixo da superfície. A enorme pressão dessa região oceânica inviabiliza expedições presenciais.
Os equipamentos foram acoplados a um veículo especial, operado remotamente, que gerou imagens e fez medições e outros testes com os espécimes encontrados. Um dos principais feitos da equipe foi documentar a estrutura celular de um micróbio unicelular vivo pela primeira vez na pesquisa marinha. Outra espécie descoberta foi denominada de vermes-teia-de-aranha, do gênero Tomopteris, pela semelhança de filamentos de seu corpo com uma teia de aranha. Foi observado que o animal é capaz de nadar para a frente e para trás em alta velocidade, superando até a do veículo subaquático.
Algumas espécies encontradas são bioluminescentes, ou seja, capazes de produzir luz a partir de reações químicas de seu organismo. Tal capacidade é fundamental para a captura de presas, sobretudo zooplâncton e larvas, já que a zona em que vivem é imersa em escuridão absoluta. A partir da luz irradiada, pequenos organismos microscópicos são atraídos às proximidades do predador, permitindo a alimentação dele. Os pesquisadores identificaram ainda filossomas, que são estágios larvais de crustáceos nunca visualizados antes.





