
A oração de Ana
17/05/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Pequenas peças de argila encontradas na Síria podem revolucionar o nosso entendimento acerca da escrita humana e a nossa compreensão da origem dos alfabetos. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e da Universidade de Amsterdã, na Holanda, encontraram uma coleção de cilindros com caracteres inscritos em uma tumba na região de Umm el-Marra, no Norte da Síria. As peças remontam ao ano 2400 a.C. e podem conter o mais antigo exemplar de escrita já encontrado.
O sítio arqueológico, próximo à fronteira com o Iraque, tem sido escavado há mais de 20 anos, mas só recentemente os cilindros foram achados. Desde então, surgem evidências sólidas de que as marcas na argila são mesmo um código alfabético. Os objetos têm cerca de 5 centímetros e são perfurados ao centro – provavelmente, para serem pendurados ou amarrados entre si. Embora os caracteres ainda não tenham sido traduzidos, vários cilindros contêm símbolos semelhantes, o que evidencia que se trata de letras.
A descoberta retrocede aproximadamente 500 anos a data até então tida pelos especialistas como a do surgimento da escrita humana. Até agora, a ciência apontava que o alfabeto havia sido inventado por volta de 1900 a.C., na região do atual Egito. “Mas nossos artefatos são mais antigos e de uma área diferente no mapa, sugerindo que o alfabeto pode ter uma origem completamente diferente da que pensávamos”, explicou o professor Glenn Schwartz, da Faculdade de Arqueologia da Universidade Johns Hopkins, à equipe da National Geographic.
Como foram encontrados em um complexo funerário, os pesquisadores acreditam que as peças possam conter nomes de pessoas falecidas ou algum tipo de mensagem ligada a ritos mortuários. Reforça essa tese o fato de que, no mesmo espaço, foram encontrados esqueletos humanos. O sistema de marcas dos cilindros nunca havia sido encontrado naquela região do Oriente Médio, onde o que predominava nos achados era a escrita cuneiforme, originária da Mesopotâmia, e posteriormente adotada na Síria, durante a Idade do Bronze.
“Esta nova descoberta mostra que as pessoas estavam experimentando novas tecnologias de comunicação muito antes e em um local diferente do que imaginávamos até então”, completou o professor Schwartz. Base da vida em sociedade, os alfabetos representaram um ponto de ruptura entre o modo de vida nômade e o processo de fixação humana em um mesmo território, consolidando o que conhecemos como civilização.





