
Inep divulga “espelhos” da redação Enem 2025 com pontuação errada
19/03/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Quem tem mais de 40 anos sabe: de uma hora para outra, tarefas simples como conferir o celular, anotar recados ou ler a Bíblia se tornam difíceis. As letras e imagens, antes perfeitamente visíveis, apresentam-se, subitamente, desfocadas. Assim, é preciso afastar os objetos para enxergar melhor, recurso que, com o tempo, não funciona mais. É a popular “vista cansada”, condição natural do envelhecimento que consiste na perda da motilidade do cristalino (a lente interna do olho) e de sua capacidade de se amoldar para ajustar o foco do que se vê. Na oftalmologia, esse quadro é denominado presbiopia.
Diferentemente de outros distúrbios da visão, como a miopia ou o astigmatismo, a presbiopia não é uma condição congênita ou que se desenvolve ao longo da vida: ela se estabelece com o avançar da idade. Além disso, tem alta prevalência: espera-se que praticamente todas as pessoas acima dos 40 anos apresentem algum grau de presbiopia. Processo fisiológico normal, o enrijecimento do cristalino acontece porque os olhos “envelhecem” mais rapidamente do que outras partes do corpo – um reflexo biológico dos tempos em que a expectativa de vida dos humanos era de até 50 anos.
Em um olho sem presbiopia, o indivíduo pode enxergar com nitidez tanto objetos próximos como paisagens distantes. Isso acontece porque o cristalino se ajusta de maneira instantânea e involuntária às perspectivas de distância. No entanto, uma vista com presbiopia, além de apresentar um desconforto visual, pode causar enxaqueca ou ardência ocular. Não é uma condição grave nem degenerativa e tende a se estabilizar depois de determinado tempo – desse modo, a pessoa pode até se acostumar com ela. Na maior parte dos casos, o tratamento consiste na prescrição de lentes corretoras, que agem para ajustar o foco do ponto visualizado.
Com o uso cada vez maior de telas de computador e smartphones, a presbiopia pode se estabelecer antes do esperado, até mesmo em jovens adultos. Por isso, o que se recomenda para retardar ou atenuar o processo é priorizar a leitura em ambientes bem iluminados, fazer pausas periódicas no trabalho virtual, manter boa hidratação dos olhos – de preferência com colírios lubrificantes –, usar monitores com película antirreflexo e consultar o oftalmologista regularmente, sobretudo após a quarta década de vida.





