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Uma radicalização nas leis que regulamentam o segmento religioso na Argélia ocasionou uma situação extrema para os cristãos que vivem lá: não há mais igrejas evangélicas abertas no país do Norte da África. De acordo com um recente relatório divulgado pela Missão Portas Abertas — entidade internacional de orientação protestante que atua pela liberdade de crença no mundo —, os 47 templos que permaneciam funcionando foram obrigados a fechar as portas em 2024. Esse cenário coloca a Argélia ao lado de nações que perseguem fortemente o cristianismo.
Embora tenha sido um dos países mais influenciados pela Primavera Árabe em 2013, quando fortes reivindicações populares por mais liberdade e democracia se espalharam pelo mundo islâmico, a Argélia não afrouxou suas duras regras de exclusão religiosa. A legislação local, fundamentada em interpretações radicais do Corão, o livro sagrado do islã, impõe forte vigilância sobre a fé cristã. Por lá, são proibidas, por exemplo, ações que “abalem a fé de um muçulmano” e atividades que possam atrair muçulmanos a se converterem a outra religião.
Com uma população estimada em 45 milhões de habitantes, a Argélia apresenta um dos índices mais elevados de pertencimento muçulmano no mundo árabe: quase 99% dos argelinos professam o islamismo. Os cristãos evangélicos no país não passam de cem mil e praticamente todos são obrigados a se reunir clandestinamente, já que o governo tolera apenas o funcionamento das igrejas católicas – frequentadas normalmente por estrangeiros residentes ou em passagem pelo país. Mesmo assim, não é permitida nenhuma ação proselitista ou celebrações ao ar livre.
Em maio de 2024, um dos líderes evangélicos mais destacados do país, o Pr. Youssef Ourahmane, vice-presidente da Igreja Protestante da Argélia, foi condenado a um ano de prisão por conduzir cultos não autorizados pelas autoridades. A partir daquele mês, os templos que ainda funcionavam foram fechados, e, hoje, não há nenhuma comunidade evangélica ativa fora da clandestinidade.