
Lagar com cinco mil anos é encontrado em Israel
11/04/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Coluna, pescoço, ombros, cotovelos, olhos – é grande a lista de partes do corpo que tendem a ser afetadas pelo uso excessivo de celulares e outros dispositivos móveis. Nestes tempos de larga conectividade, em que muitas pessoas passam até dez horas diárias diante das telas, o smartphone
pode ser um forte vetor para a perda da saúde. Os movimentos repetitivos dos dedos, deslizando na tela o tempo todo (hábito chamado de scrolling), e a inclinação do pescoço para baixo geram sobrecargas em tendões, músculos, ossos, nervos e articulações. O problema é particularmente expressivo entre adolescentes, grupo que passa muito tempo conectado e cuja estrutura corporal ainda está em consolidação.
Uma pesquisa do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) aponta que pelo menos 60% dos usuários frequentes de celular – aqueles que utilizam o aparelho, no mínimo, duas horas por dia – apresentam quadro de dores e desconfortos posturais. Ainda pior é a chamada síndrome do pescoço de texto (do inglês text neck syndrome), causada pela inclinação constante da cabeça. Essa postura aumenta, em até cinco vezes, o peso que a cabeça exerce sobre a coluna, causando cefaleia e dor que se irradia para os ombros, além de provocar desvios que podem se tornar irreversíveis se não tratados e se a causa não for eliminada.

Os dedos também são tensionados ao extremo se o manuseio do celular ou do joystick de video game é frequente, afetando tendões, articulações e nervos. O resultado disso pode ser o surgimento de patologias, como tendinites, artroses ou lesões por esforço repetitivo. “Os danos principais desses excessos nas telinhas são degeneração precoce dos discos, cefaleia tensional, contraturas e sobrecarga articular”, enumera a fisioterapeuta Regina Célia Caetano de Araújo, especializada em Traumato-Ortopedia e Neurofuncional. “Nos últimos tempos, essa tem sido uma queixa recorrente”, destaca.
De acordo com a especialista, a utilização compulsiva do celular, a médio ou longo prazo, acarreta uma sobrecarga biomecânica, acometendo diretamente articulações, músculos, tendões e nervos. Regina alerta que não é possível afirmar que exista um tempo de exposição livre de riscos, mas há parâmetros considerados mais seguros segundo a referência ergonômica e que são adotados pelos profissionais da saúde para minimizar as chances de dor e lesões musculoesqueléticas. Ela define o risco a partir do tempo em contato com o aparelho. “Um uso considerado de baixo risco seria por um período de, aproximadamente, 20 a 30 minutos contínuos, com pausa ativa após esse tempo”, ensina. Já o moderado compreenderia entre 30 e 60 minutos. “O alto risco viria após mais de uma hora contínua, sem intervalo.”
Além da redução do tempo, a correção da postura é a orientação mais importante. “Manter o celular ou aparelho na altura dos olhos, com as orelhas alinhadas aos ombros, e evitar a flexão prolongada do pescoço são medidas essenciais”, destaca a fisioterapeuta. “Ombros relaxados e pés e costas apoiados durante o uso do aparelho, na posição sentada, também ajuda.”





