
JQV realizam programações especiais durante o Carnaval
21/02/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Com o início do ano letivo, após as férias escolares e o Carnaval, milhões de estudantes voltam às aulas. Nesse período, retornam também as preocupações dos pais e responsáveis com o peso das mochilas que as crianças utilizam no deslocamento. Livros, apostilas, cadernos e, em muitos casos, notebooks , além de celulares e outros pertences pessoais, somam um montante volumoso que, transportado diariamente ao longo de meses e, até mesmo anos, pode causar sérios danos à coluna cervical, às articulações e à estrutura muscular dos pequenos.
Engana-se quem pensa que a preocupação dos responsáveis é um zelo exagerado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a carga em excesso nas mochilas escolares e o esforço repetitivo na infância e adolescência ocasionam 70% dos problemas de coluna na fase adulta. Já a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) adota o entendimento de que mochilas com peso extra ou utilizadas de maneira incorreta – por exemplo, quando o estudante prende apenas uma das tiras de um lado do corpo – podem levar a consequências que não se limitam à infância, gerando sequelas por toda a vida.
Por isso, muitas escolas têm implantado armários com gavetas individuais, nas quais o estudante pode deixar o material de uso diário. Outras adotam programas de conscientização aos alunos e às suas famílias, enfatizando a necessidade do cuidado ao se carregar a mochila, evitando o transporte de itens desnecessários. Até o poder público tem se movido nesse sentido. Diversos estados e municípios vêm adotando legislações específicas sobre o tema – caso recente da Paraíba, que implementou, no ano passado, uma regra que determina que o peso do material transportado não pode ultrapassar 5% do peso da criança de Educação Infantil, ou 10% do peso do aluno dos níveis Fundamental e Médio.
A SBOT oferece uma série de orientações para que a ida e a volta da escola sejam apenas momentos de alegria para os estudantes, e não fonte de dores físicas (ver no final desta matéria). Por sua vez, o médico Bruno Marques, do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, instituição de referência na especialidade, lembra que a recomendação é pelo uso do modelo com rodinhas. “Caso se prefira a mochila com alças, que estas sejam sempre duplas, além de acolchoadas e largas”, ensina. Pai de uma menina em idade escolar, o especialista salienta que o esforço ao redor da coluna pode resultar, a curto prazo, em dores. “É o que gera as famosas lombalgias, dorsalgias e cervicalgias.”

Marques alerta ainda que, a médio e longo prazos, a sobrecarga constante nas costas pode acarretar danos mais graves, como desvios e vícios posturais, tornando mais difícil reeducar essa criança ou esse adolescente. “Já na maturidade, ocorrerão as alterações degenerativas na coluna, ou seja, artrose.” Além do cuidado com o peso das mochilas, o ortopedista recomenda a atividade física possível. “Mesmo para quem não dispõe de programas mais estruturados de exercícios, é necessário estimular qualquer prática física acessível, como brincadeiras ao ar livre, esportes escolares ou mesmo tarefas domiciliares que gerem senso de colaboração, pertencimento e importância”, opina.
De acordo com a SBOT, algumas providências simples podem reduzir ou até eliminar os riscos de problemas ortopédicos causados por mochilas escolares pesadas. Entre elas, estão: orientar a criança a nunca carregar a mochila em uma única alça; ajustar as alças para que fiquem bem encostadas no corpo; manter a base da mochila (parte de baixo) a aproximadamente 5 cm acima da linha da cintura; usar modelos com cinto abdominal que ajudam a equilibrar o peso da mochila pelo corpo; não permitir que o comprimento da mochila seja superior ao do tronco da criança.





