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Desafio ainda presente na maioria das igrejas, a inclusão plena de pessoas com deficiência (PcD) já é uma realidade na Bay Area Christian Church, comunidade cristã localizada em Palo Alto, na Califórnia (EUA). Na denominação, funciona o Ministério de Recursos Espirituais (SRM, na sigla em inglês), grupo de apoio que atende crianças e adolescentes com transtornos mentais, neurotipias e déficits cognitivos, por meio do trabalho de voluntários treinados para acolher essas ovelhas de Cristo e desenvolver a fé delas. O ministério surgiu a partir da constatação de que muitas igrejas não estavam preparadas para lidar adequadamente com pessoas com deficiências moderadas e severas.
Essa semente foi lançada por um pastor da comunidade. Em 1991, com o nascimento do seu primeiro filho, diagnosticado com síndrome de Down — alteração genética que pode levar a atrasos no desenvolvimento global, dificuldades motoras e outras complicações —, o pregador Russ Ewell e sua esposa, Gail, perceberam que o menino ficava à margem das atividades e programações voltadas à sua faixa etária na igreja. “Não podíamos colocá-lo no ministério infantil porque não havia pessoas preparadas para trabalhar com alguém com síndrome de Down”, relatou o ministro do Evangelho, em entrevista ao Christian Post.
Por sua vez, a chegada do segundo filho, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA), levou o casal a uma decisão: promover a inclusão efetiva desse público na rotina da igreja. “Então, começamos a treinar pessoas, e disso surgiu o Ministério de Recursos Espirituais. De início, eram oito crianças. Depois, o número subiu para 50, e, mais tarde, para 100”, lembra-se Ewell, que soma 40 anos no ministério pastoral. A partir dessa iniciativa, uma mudança cultural começou a ser consolidar na Bay Area Christian Church. Se, antes, uma criança com autismo expressando estereotipias durante a mensagem causava incômodo, essa particularidade passou a ser compreendida como parte da celebração.
Em pouco tempo, o modelo do SRM transpôs os muros da igreja local. Núcleos de treinamento foram formados na região, com coordenadores responsáveis por selecionar e capacitar voluntários. Inclusive, o corpo de obreiros valoriza bastante a diversidade: há equipes de auxiliares da mesma faixa etária das crianças atendidas, além de adultos, com ou sem formação nas áreas de Psicologia e terapias, que acompanham crianças com deficiência e supervisionam as atividades.
Estudo realizado pela Lifeway Research, em 2019, revelou que apenas 29% das igrejas norte-americanas ofereciam aulas bíblicas e outras programações para pessoas com deficiência. No Brasil, não há estudo do gênero, mas a demanda tende a ser ainda maior. “Parte disso acontece por falta de atenção ao ministério de Jesus, que ajudava os menos favorecidos, os oprimidos, os marginalizados e os ignorados. Outra parte é por não saber lidar com esse público”, aponta Russ Ewell.
O SRM originou uma ampla rede cristã em várias partes dos EUA e em outros países. Uma dessas iniciativas é o E-Life, que desenvolve programas esportivos e comunitários voltados à integração de crianças e jovens com e sem deficiências, que participam juntas das atividades. O projeto conta com mais de 500 voluntários e mantém 28 programas diferentes. “Dessa forma, eles não apenas têm uma ótima experiência no ministério infantil da igreja, mas também constroem amizades para a vida toda”, completa Ewell.





