
‘No caminho de Emaús’: uma jornada de fé
04/04/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Um mikveh, antigo tanque para banhos cerimoniais do judaísmo, foi localizado nos arredores do Muro Ocidental (ou das Lamentações), em Jerusalém, o ponto mais sagrado da fé hebraica. A descoberta foi anunciada este ano pela Autoridade de Antiguidades de Israel, responsável pelas escavações no sítio histórico. O achado reforça a noção da importância dada à fé pelos judeus do primeiro século, que tinham por prática banhar o corpo em água antes das cerimônias no Templo. Com idade estimada em dois mil anos, a estrutura é contemporânea à vida terrena de Jesus Cristo.
O tanque tem formato retangular e dimensões consideradas grandes, com 3,05 m de comprimento e 1,35 m de largura, por 1,85 m de profundidade. Escavado diretamente na rocha, ele podia ser acessado por degraus desde a superfície. É razoável supor que o local tinha bastante movimento, dada sua proximidade com o edifício religioso, sobretudo em épocas de peregrinação, como a Páscoa judaica ou as festas do calendário dos antigos hebreus. Pelas rígidas regras religiosas do povo de Israel, o devoto também deveria lavar-se em um mikveh em ocasiões específicas, como antes do casamento ou para cumprir as normas de purificação – caso das mulheres, após o período menstrual.
Técnicas de prospecção arqueológica têm sido usadas na avaliação da estrutura, como análise estratigráfica e documentação minuciosa das camadas do solo adjacente. De acordo com pesquisadores envolvidos no trabalho, o tanque tinha um sistema de captação de água da chuva que permitia renovação periódica de seu conteúdo, outro requisito para que os banhos tivessem validade litúrgica. Junto à bacia, foram encontrados vasos de cerâmica e ferramentas, uma evidência de que atividades cotidianas eram desenvolvidas no local.
Um fato chamou a atenção dos arqueólogos: a presença de fragmentos de cinzas, provavelmente dos incêndios promovidos pelas tropas romanas no aniquilamento da cidade, no ano 70. “A descoberta de um banho de purificação e as cinzas da destruição são mil testemunhos da capacidade do povo judeu de emergir da impureza para a pureza, da destruição para a ressurreição”, declarou Mordechai Eliav, diretor-geral da Fundação do Patrimônio do Muro das Lamentações, em comunicado divulgado pela instituição.





