
Gabriel Grijó declara fé em Jesus após vitória em campeonato de jiu-jitsu
02/04/2026Por Carlos Fernandes, do Ongrace

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Para muitas pessoas, a Páscoa é apenas um feriadão com folgas a serem aproveitadas. Para outras, a oportunidade de distribuir e receber chocolate. Porém, para mais de 2 bilhões de cristãos em todo o mundo, a festividade relembra o ponto fundamental da história de sua fé: a ocasião em que Cristo foi preso, torturado e morto, ressuscitando gloriosamente ao terceiro dia. Nesse contexto, a Semana Santa é mais do que uma celebração religiosa: é, acima de tudo, o momento de o crente expressar gratidão ao Senhor por um favor imerecido consumado na crucificação.
A Semana Santa – período entre a sexta-feira e o domingo de Páscoa – começou a ser observada entre os séculos 3 e 4 da Era Cristã, sobretudo após o Concílio de Niceia, realizado no ano de 325. Na época, bispos e outros líderes da Igreja estabeleceram importantes definições litúrgicas e teológicas ao cristianismo, corrente religiosa então em ascensão. Também ficou firmado que a Páscoa seria celebrada no primeiro domingo depois da primeira lua cheia após o equinócio da primavera no Hemisfério Norte. Em 2026, a data é comemorada hoje, 5 de abril.
Outro evento histórico fundamental da fé judaico-cristã, o Êxodo também é lembrado na mesma ocasião. Diante dos acontecimentos finais do ministério terreno de Jesus, em uma Jerusalém lotada de peregrinos, ocorria a celebração da Páscoa dos hebreus, quando se lembra a milagrosa fuga do povo de Israel do Egito. Narrado no livro do Êxodo, o episódio épico, liderado por Moisés, marcou o fim de quatro séculos de escravidão — uma libertação que já simbolizava, muitos séculos antes, o sacrifício de Cristo e a redenção de todo aquele que nele crer. Assim, a Páscoa é um memorial dos dois eventos.

Para os servos do Senhor, a Páscoa é motivo de alegria, devoção e gratidão. É comum que as famílias se reúnam, e as igrejas realizem eventos especiais, como cultos temáticos, cantatas e confraternizações. “A Páscoa, para o cristão, celebra a ressurreição de Jesus, que confirma Sua vitória sobre o pecado e a morte. Cristo é o Cordeiro de Deus, que inaugura uma nova aliança e oferece redenção à humanidade”, destaca o pastor e teólogo Daniel Coutinho Guedes, da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Diadema, na Grande São Paulo.
Ele lembra que, em diversas passagens bíblicas, tanto no Antigo como no Novo Testamento, o papel sacrificial de Cristo é afirmado. “Destaco o capítulo 53 de Isaías, que O apresenta como servo sofredor, os textos de João 19 e 20 e Mateus 26 a 28, que narram Sua paixão e ressurreição, e 1 Coríntios 15, que é a base doutrinária da ressurreição”, enumera o pastor, que é também professor da Academia Teológica da Graça de Deus (Agrade). Por tudo isso, sustenta, a celebração tem de ser centrada no Salvador. “Elementos culturais associados à Páscoa não estão errados, desde que não substituam o essencial”, pondera. “O foco da festa precisa ser a redenção, a comunhão com Deus e a prática do Evangelho.”

“Somos chamados a contemplar não apenas os eventos históricos da morte e ressurreição de Cristo, mas também o seu significado dentro da economia redentiva de Deus, isto é, o modo como o Senhor, soberanamente, executa Seu plano eterno de salvação na História”, concorda Douglas de Paula, pastor líder da Igreja Presbiteriana Aliança em Volta Redonda (RJ). “Portanto, o verdadeiro sentido da Páscoa não está nos símbolos externos, mas na realidade espiritual de que Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação, conforme preconiza o texto de Romanos 4.25.”
Com especialização em Teologia Bíblica e Exegética, Douglas lembra que a Semana Santa, assim como o Natal, tem sido ressignificada pela cultura contemporânea e, muitas vezes, reduzida a práticas externas, tradições populares e consumismo. “Diante disso, o cristão é desafiado a discernir, à luz das Escrituras, como celebrar esse período de modo que honre, verdadeiramente, a Deus.” Para ele, tradições da data, como consumo de chocolate ou troca de presentes, não são, em si, pecaminosos. “Tornam-se problemáticos quando obscurecem o verdadeiro significado da Páscoa ou quando alimentam uma mentalidade materialista e superficial”, adverte. O perigo, portanto, não está no chocolate, mas em substituir o Cordeiro de Deus por símbolos vazios de significado espiritual. “O cristão deve celebrar a Semana Santa com reverência, gratidão e profunda reflexão. É um tempo oportuno para meditar nas Escrituras, participar da comunhão da igreja, relembrar o sacrifício de Cristo e renovar o compromisso com uma vida santa.”





