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Ondas de calor de intensidade extrema podem atingir a América do Sul – e o Brasil, em particular, este ano. O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com base em observações da proximidade do fenômeno climático conhecido como El Niño, que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que já ultrapassa os 2ºC na Costa Oeste do continente. O relatório do órgão foi divulgado em 29 de junho e lembra que o quadro interfere diretamente nas condições de temperatura e no regime de chuvas no Brasil. A previsão aponta que, entre julho e setembro, devem ocorrer chuvas acima da média na região Sul do país e períodos de estiagem além do normal nas regiões Centro-Oeste e Norte.
Já é tido como certo que o El Niño deste ano, que deve perdurar até os primeiros meses de 2027, tem potencial para ser o mais intenso dos últimos 140 anos. Meteorologistas temem que o aquecimento das águas superficiais do oceano chegue a até 3,2ºC acima da média, nível suficiente para provocar catástrofes (como enchentes e secas prolongadas) e até interferir na vida marinha. Algumas espécies de corais, bem como de moluscos, crustáceos e peixes de águas superficiais podem sofrer alterações em seu ciclo reprodutivo e, em casos extremos, mortandade. Além disso, as temperaturas neste inverno serão mais elevadas que a média histórica.
O clima no Brasil é fortemente influenciado pelo ecossistema amazônico, responsável pela umidade em grande parte do território nacional. Com as emanações de calor mais intenso na superfície do oceano, o regime dos ventos e as correntes marítimas sofrem grandes alterações, desequilibrando os chamados “rios voadores” – fluxos de intensa umidade atmosférica que descem da parte setentrional da América do Sul para o restante da região. Em anos recentes, essas alterações provocaram eventos extremos no Brasil, como as queimadas no pantanal mato-grossense; as secas históricas na Amazônia – rios gigantes, como o Negro e o Tapajós, tiveram redução recorde no nível de água – e, sobretudo, as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.
A principal agência climática dos Estados Unidos, a Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês), divulgou projeções segundo as quais o fenômeno já está ativo no Pacífico e vai se intensificar a partir de julho. A entidade destaca que o aquecimento global provocado, entre outros fatores, pela emissão de gases causadores do efeito estufa, tende a agravar o panorama climático desencadeado pelo El Niño.
Ainda no fim do mês passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou o Singed Lab Desastres, sistema de produção e compartilhamento de dados voltados à prevenção e ao enfrentamento de ocorrências climáticas. A ideia é aumentar o preparo de órgãos públicos e setores privados, possibilitando rapidez na tomada de providências em eventuais transtornos advindos das mudanças climáticas esperadas para o período. O objetivo é que cada município tenha a própria Comissão de Prevenção de Desastres – grupo treinado em dados para atuação em situações adversas.





