IIGD reúne famílias em caminhada de fé

11/08/2026

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11/08/2026

Dia Internacional da juventude: os desafios dos relacionamentos na nova geração

Por André Santiago, do Ongrace

Juventude enfrenta desafios para criar vínculos reais e interage mais por meio digital, segundo pesquisa – Imagem: Abertura by Magnific

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Quando João Vitor entrou pela primeira vez na igreja onde congrega, não conhecia ninguém. Ele costumava passar em frente ao templo até que, certo dia, decidiu entrar sozinho. Ao redor, encontrou pessoas que já pareciam ter seus próprios grupos e círculos de amizade. Pouco tempo depois, algo começou a mudar: João participou de um retiro de Carnaval e pôde conhecer melhor outros jovens, passando a servir na obra de Deus. Entre cultos, atividades e momentos compartilhados, aqueles que inicialmente eram desconhecidos se tornaram parte da vida dele. “O dia a dia na igreja, principalmente o serviço, fez com que eu tivesse mais contato com as pessoas. A convivência foi criando proximidade”, conta.

João Vitor chegou sozinho à igreja e, por meio da convivência e do serviço, construiu novas amizades – imagem: Arquivo pessoal / João Vitor – modificada por IA

A experiência de João ajuda a ilustrar uma questão que ganha destaque nesta semana em que é comemorado o Dia Internacional da Juventude (12 de agosto). Em uma geração que possui inúmeras ferramentas para conversar e acompanhar outras pessoas, estar conectado não significa, necessariamente, experimentar relacionamentos profundos.

Uma pesquisa feita pelo Pew Research Center com adolescentes norte-americanos de 13 a 17 anos revelou que a maioria dos entrevistados utiliza chatbots de inteligência artificial (IA). Segundo dados obtidos, mais da metade recorre a esses programas para buscar informações (57%), ou receber ajuda com tarefas escolares (54%). Porém, os números que impressionam são a respeito da quantidade de adolescentes que usam essas ferramentas para conversas informais (16%) ou para obter apoio emocional ou conselhos (12%).

A psicóloga Gabriela Andrade frisa que a qualidade dos vínculos é fundamental para desenvolver a sensação de pertencimento – imagem: Arquivo pessoal / Gabriela Andrade – modificada por IA

Para a psicóloga Gabriela Andrade, existe uma diferença importante entre participar de um grupo e realmente pertencer a ele. “A quantidade de relações não determina um vínculo. A qualidade desses relacionamentos é o que permite que a pessoa se sinta parte do contexto em que está inserida”, explica. A especialista aponta que alguém pode ter uma vida social ativa e presença constante nas redes, mas continuar experimentando solidão pela ausência de conexões emocionais significativas.

João já enfrentou essa sensação. Mesmo depois de encontrar uma comunidade cristã, ele reconhece que também passou por momentos em que se sentia sozinho. Nesse processo, o contato presencial ocupa um lugar importante. Além dos cultos e do serviço na igreja, o jovem procura estar com os amigos em casa, em restaurantes, no cinema e em outros ambientes. “As redes sociais ajudam a manter uma relação, mas, para mim, a amizade de verdade é construída sobretudo presencialmente”, afirma.

Gabriela pontua que a interação virtual pode oferecer uma sensação imediata de satisfação sem, obrigatoriamente, suprir a necessidade humana de conexão. “Apesar da conexão virtual, o indivíduo pode sentir a ausência de relações mais profundas”, destaca.

Para enfrentar esse cenário, ela defende que famílias, escolas, igrejas e outras comunidades estimulem conversas sobre emoções e a construção de vínculos afetivos saudáveis. A experiência de João mostra como essa aproximação também pode acontecer pela convivência. Para uma geração acostumada a acumular seguidores, contatos e grupos, o desafio talvez esteja justamente em algo que nenhuma tela consegue reproduzir por completo: a presença na vida de alguém.

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