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27/09/2026

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Sono reparador: por que tantos brasileiros não conseguem descansar

Por André Santiago, do Ongrace

Insônia e poucas horas de descanso fazem parte da rotina de milhões de brasileiros e podem trazer impactos para a saúde e a qualidade de vida– imagem: Pexels by cottonbro studio

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Dormir bem tem sido um desafio para uma parcela significativa dos brasileiros. Dados do último Vigitel, pesquisa anual do Ministério da Saúde que monitora a saúde da população adulta, mostram que 20,2% dos moradores das capitais dormem menos de seis horas por noite. O percentual chega a 21,3% para as mulheres e 23,1% para pessoas de 65 anos ou mais.

O levantamento incluiu, pela primeira vez, informações sobre a qualidade do sono e revelou outro dado preocupante: 31,7% dos adultos que vivem nas capitais apresentam sintomas de insônia. Entre as mulheres, a proporção sobe para 36,2%. O problema vai além de uma noite mal dormida. A insônia pode ser caracterizada pela dificuldade frequente para iniciar ou manter o sono, despertar antes do horário desejado e não conseguir voltar a dormir. Para o diagnóstico, essas situações também precisam provocar consequências durante o dia, como fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Mas por que descansar está tão difícil? Um estudo conduzido por pesquisadores ligados ao Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) chama a atenção para fatores que podem interferir diretamente no sono: estresse crônico, ansiedade, doenças não tratadas e hábitos inadequados. Condições sociais igualmente pesam, como desemprego, violência, insegurança alimentar, moradias inadequadas, jornadas intensas de trabalho e longos deslocamentos, podendo comprometer o descanso.

Além disso, a dificuldade para dormir tem levado parte da população a recorrer a medicamentos. Em um estudo com adultos que procuraram tratamento psicológico para insônia, 60% relataram utilizar algum tipo de remédio para dormir. Hipnóticos, benzodiazepínicos e medicamentos vendidos sem receita estavam entre os mais utilizados. Contudo, especialistas destacam que terapias comportamentais figuram como as primeiras opções recomendadas para tratar a insônia. A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCCI), por exemplo, trabalha hábitos e pensamentos relacionados ao sono.

Os números ajudam a ampliar uma discussão que ultrapassa os consultórios. Em uma sociedade marcada por pressa, cobranças e rotinas cada vez mais intensas, descansar não deveria ser encarado como falta de produtividade. Cuidar do corpo e da mente, do mesmo modo, significa reconhecer limites e reservar espaço para o repouso. Quando uma em cada cinco pessoas nas capitais dorme menos de seis horas, o sono deixa de ser apenas uma questão individual. Dormir bem não pode se transformar em luxo: é parte essencial do cuidado com a saúde e da qualidade de vida.

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