Igrejas buscam caminhos para incluir crianças autistas e suas famílias

20/09/2026

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Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: respeito e cidadania

Por Carlos Fernandes, do Ongrace

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência sintetiza o ideal de cidadania, autonomia e exercício de direitos – imagem: Paulo Pinto / Agência Brasil

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Em torno de 14,5 milhões de brasileiros – o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais de idade – convivem diariamente com diferentes desafios, reivindicam políticas e iniciativas de inclusão e estão cada vez mais conscientes de seus direitos. As pessoas com deficiência (PcD) existem e querem ser incluídas. Nesse contexto, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, representa um marco na busca por cidadania, autonomia e melhores condições de vida para esse grupo.

A data foi criada por iniciativa do Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes, na década de 1980, a partir de reivindicações de diferentes segmentos da sociedade. Dados do Censo 2022 mostram a dimensão desse público: 7,9 milhões de pessoas no país têm dificuldades ou não conseguem enxergar; 5,2 milhões apresentam limitações severas ou totais para andar; 2,7 milhões têm dificuldades importantes de movimentação; e 2,6 milhões convivem com algum grau de perda auditiva, que varia de moderada a total. Além disso, 1,4 milhão de indivíduos declarou ter deficiência mental, quadros atípicos ou disfunções cerebrais que limitam suas atividades.

Um dos principais avanços no reconhecimento dos direitos das PcD foi a criação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). Desde então, não apenas os mecanismos legais de proteção foram ampliados, mas também a forma como a sociedade passou a compreender e se referir às pessoas com deficiência.

A legislação representou uma mudança importante ao estabelecer uma nova definição de deficiência, entendida não apenas a partir dos impedimentos da pessoa, mas também da interação desses impedimentos com as barreiras existentes no ambiente em que ela vive. Com base nessa perspectiva, questões como acesso à educação e ao mercado de trabalho, mobilidade, participação social e política, lazer e vida cultural passaram a ser compreendidas de maneira mais ampla, reforçando a importância da inclusão e da autonomia.

Apesar das dificuldades em seu dia a dia, Jonas Lins tem consciência de seus direitos e de suas potencialidades – imagem: Arquivo pessoal

É por uma vida com mais autonomia e inclusão que o aposentado Jonas Batista Fernandes Lins, do Rio de Janeiro, luta constantemente. Cadeirante há cerca de dez anos, ele enfrenta todos os dias os desafios relacionados à mobilidade. “Transitar pelas ruas é difícil por causa de obstáculos e buracos nas calçadas”, relata.

Com o apoio da família, Jonas consegue acessar alguns de seus direitos, como benefícios previdenciários e medicamentos de alto custo. Ainda assim, o caminho nem sempre é simples. “Precisamos juntar muita documentação e, eventualmente, recorrer à Justiça, o que demora um pouco”, conta ele.

Para Jonas, movimentos e iniciativas como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência poderiam alcançar resultados ainda mais amplos se houvesse maior disseminação de informações. Na avaliação dele, esse processo poderia começar nas escolas. “Muita gente não sabe sequer que esse dia existe e qual é a sua finalidade”, pondera.

A tecnologia também se tornou uma importante ferramenta para o aposentado, tanto nos estudos quanto na participação social. A paraplegia não o impede de explorar o mundo virtual, o que amplia suas possibilidades de interação e acesso a informações.

Além dos recursos digitais e do apoio familiar, a fé ocupa um lugar central na vida de Jonas. Evangélico e membro da Igreja Maranata, ele afirma que a religião tem sido fundamental para enfrentar os desafios cotidianos. “O Evangelho preenche o meu coração e a minha mente. Além disso, a comunhão com os irmãos me motiva a sair de casa com bons sentimentos”, afirma.

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