
IR: hora de realizar a declaração anual
26/03/2026Por Viviane Castanheira, do Ongrace

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Uma condição pouco conhecida, mas que afeta milhões de pessoas no país, tem chamado a atenção de especialistas pela dificuldade de diagnóstico e pelo impacto na qualidade de vida. O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional e doloroso de gordura, principalmente em pernas e braços, e atinge em torno de 9 a 10 milhões de pessoas no Brasil – sendo, aproximadamente, 95% dos casos em mulheres. A enfermidade, no entanto, não melhora apenas com alimentação equilibrada e prática de exercícios, exigindo abordagem específica e multidisciplinar.
Apesar de frequentemente confundido com a obesidade, o lipedema apresenta características próprias. “Não é causado por excesso de calorias e não responde a dietas e exercícios físicos tradicionais”, explica o cirurgião vascular Dr. Eduardo Toledo de Aguiar. Segundo ele, o acúmulo de gordura ocorre de modo simétrico e doloroso, formando “almofadas” em regiões como coxas, panturrilhas e braços.

Além do aspecto físico, a condição está associada a fatores hormonais e genéticos e pode surgir ou se agravar em fases como puberdade, gravidez e menopausa. Os sinais mais comuns são: dor ao toque, sensação de peso, inchaço ao longo do dia e facilidade para surgimento de hematomas. “O diagnóstico é clínico, feito por avaliação médica e exclusão de outras doenças”, destaca o cirurgião, ressaltando que muitas mulheres convivem com os sintomas por anos sem diagnóstico correto.
Sem cura, o lipedema requer acompanhamento contínuo e individualizado, com foco no controle da dor e da inflamação. Entre as abordagens, estão o uso de meias compressivas, drenagem linfática e, em casos mais avançados, cirurgia. “A lipoaspiração pode ser indicada quando há dor intensa e limitação de movimentos, mas não elimina a necessidade do tratamento clínico”, afirma Toledo, que é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Nesse contexto de cuidados integrados, a fisioterapia desempenha papel essencial. “A gente não trata apenas o acúmulo de gordura, mas também uma patologia do tecido conjuntivo que exige um olhar sistêmico”, esclarece a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, especialista em lipedema. De acordo com ela, técnicas como drenagem linfática manual e compressão adequada ajudam a reduzir o processo inflamatório e aliviar a dor.
A profissional também salienta a importância do movimento orientado. “Adaptamos exercícios de baixo impacto para estimular o retorno venoso e linfático sem sobrecarregar as articulações. Além disso, a fisioterapia atua no pré e pós-operatório, contribuindo para a recuperação e manutenção dos resultados”, conclui.





